O bloqueio atmosférico é a principal causa do calor extremo que afeta várias regiões do Brasil. Esse sistema de alta pressão impede a chegada de frentes frias, o que resulta na retenção do ar quente sobre o território nacional.
De acordo com o meteorologista Micael Amore Cecchini, professor doutor do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) da USP, esse fenômeno pode se estender por vários dias, levando a temperaturas recordes.
Embora a atual onda de calor seja considerada menos intensa do que a anterior, o risco de novos recordes de temperatura continua presente. A proximidade entre os eventos impede que a atmosfera e o solo se resfriem completamente, o que facilita a manutenção das altas temperaturas.
Essa onda de calor parece um pouco menos intensa do que a última, mas ocorreu logo após a anterior, o que impediu que houvesse tempo para o resfriamento adequado. Embora o sistema não seja tão forte, ainda existe a possibilidade de algumas cidades quebrarem recordes explicou Cecchini
De acordo com a previsão da MetSul Meteorologia, temperaturas que podem chegar a 40°C são esperadas em algumas regiões do Brasil. No Rio Grande do Sul, por exemplo, as máximas devem ultrapassar os 35°C em grande parte dos municípios, com picos que podem ultrapassar os 40°C em áreas do Noroeste, Oeste, Centro e Grande Porto Alegre.
Os dias mais quentes dessa onda de calor devem ser registrados entre terça e quarta-feira. A MetSul aponta que o calor será persistente ao longo da semana, sem expectativa de alívio significativo até, pelo menos, quinta-feira. No Sul, há possibilidade de chuvas isoladas que podem amenizar o calor em algumas áreas, enquanto no Centro-Oeste e Sudeste, as altas temperaturas devem permanecer.
Em Porto Alegre, os termômetros podem atingir entre 37°C e 38°C. Na região metropolitana, os valores podem ser ainda mais elevados, com possibilidade de alcançarem até 40°C em cidades como São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Vale do Sinos. Embora ligeiramente menos intensa do que a onda de calor anterior, a nova incursão de calor pode ter impactos consideráveis.
Em 20 de fevereiro, as temperaturas continuaram elevadas em diversas capitais brasileiras.
O ranking das cidades mais quentes foi o seguinte:
- Rio de Janeiro: 38,8°C
- Cuiabá: 35,4°C
- Goiânia: 34,4°C
- Campo Grande: 34,4°C
- Porto Velho: 33,8°C
- São Paulo: 32,9°C
A combinação de calor intenso com alta umidade tem potencial para gerar temporais em São Paulo nesta sexta-feira, dia 21. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), as chuvas devem ser fortes e volumosas, principalmente entre a tarde e a noite, com maior impacto no leste do estado, incluindo a região metropolitana e o Vale do Paraíba.
O alerta laranja prevê acumulados de até 100 mm e ventos de até 100 km/h, o que pode causar alagamentos, quedas de árvores e transtornos no trânsito. A população nessas áreas deve redobrar a atenção.
No Norte do país, a instabilidade atmosférica continua, com previsão de chuvas intensas do Amapá ao Maranhão. O aviso laranja, que se estende até sábado, 22 de fevereiro, indica que essas áreas podem receber até 100 mm de precipitação em 24 horas, com rajadas de vento que podem atingir 100 km/h.
Esse cenário é provocado pela atuação da Zona de Convergência Intertropical (ZCIT), sistema meteorológico responsável por grande parte das chuvas na região.
Além das áreas afetadas pelo calor intenso, há previsão de chuvas fortes em várias regiões do Brasil entre os dias 21 e 22 de fevereiro. O alerta amarelo do Inmet indica a possibilidade de precipitações de até 50 mm e ventos de até 60 km/h em diversos estados do Norte ao Sul do país.
Embora o calor extremo persista nos próximos dias, as pancadas de chuva podem trazer alívio temporário em algumas localidades. No entanto, a tendência para a maior parte do país ainda é de temperaturas elevadas e tempo seco predominando.
Quando o calor vai diminuir? A previsão para o curto prazo não é nada animadora. Segundo Cecchini, a onda de calor deve persistir pelo menos até quinta ou sexta-feira da próxima semana, com algumas áreas do Sul podendo ter um pouco mais de alívio antes.
Para estados como São Paulo, Centro-Oeste e regiões do interior do Nordeste e Norte, o calor intenso deve continuar. Além disso, a previsão para os próximos meses também não é positiva, com projeções de chuvas abaixo da média e temperaturas acima do normal para grande parte do Brasil. No Sul, o alívio pode ser mais cedo, mas outras áreas ainda enfrentarão calor e tempo seco.
As mudanças climáticas estão diretamente relacionadas ao aumento da frequência e intensidade das ondas de calor. O aquecimento global tem elevado as temperaturas médias e alterado os padrões atmosféricos, fazendo com que eventos como este sejam mais comuns e intensos.
Comparado a décadas atrás, essas temperaturas seriam impensáveis afirmou o especialista
Além do desconforto físico e psicológico gerado pelo calor extremo, os impactos dessa onda de calor são visíveis em setores como abastecimento de água, agricultura e saúde pública. A seca está reduzindo os níveis dos reservatórios, o que afeta tanto o consumo de água quanto a geração de energia.
A produtividade das lavouras está caindo, o que reflete diretamente nos preços e na produção alerta Cecchini, deixando claro o impacto generalizado que o calor intenso tem na economia e no bem-estar da população



