Um evento climático extremo sacudiu Nova Europa, no interior paulista, na última noite de sábado. Conhecido como microexplosão, o fenômeno lançou 100 milímetros de chuva na cidade em apenas cerca de trinta minutos.

A Defesa Civil do Estado de São Paulo, após examinar imagens de satélite e avaliar os danos locais, além de dados de estações meteorológicas próximas, chegou a essa conclusão. As rajadas de vento alcançaram velocidades de até 85 km/h e causaram grandes estragos na cidade, que possui 9,3 mil habitantes e está situada na região de Araraquara.

Os prejuízos incluíram a queda de 12 muros, sete árvores e um portão, além do destelhamento de 25 residências. Também foram derrubados dois reservatórios de água e três postes. Quatro moradores ficaram feridos por causa desses incidentes, incluindo uma pessoa atingida pelo portão e outra durante o destelhamento.

Duas outras pessoas foram feridas quando uma árvore caiu sobre seu carro. No total, cerca de 30 pessoas tiveram que deixar suas casas. A situação levou ao fechamento temporário de um posto de gasolina e à declaração de situação de emergência pela prefeitura.

Segundo a Defesa Civil, a microexplosão geralmente está ligada a uma célula tempestuosa intensa, mas é um fenômeno difícil de ser detectado pelos instrumentos meteorológicos convencionais.

O órgão utilizou uma combinação de análises das imagens do satélite com os dados das estações para confirmar a velocidade das rajadas e validar o evento como uma microexplosão.

Interpolar dados é um método estatístico usado para estimar valores desconhecidos baseando-se em informações já conhecidas. Com isso, foi possível afirmar a ocorrência desse fenômeno específico em Nova Europa.

Ana Maria de Avila, meteorologista do Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura (Cepagri) da Unicamp, explica que microexplosões podem acontecer em qualquer época do ano, não apenas no verão.

Está associada a tempestades severas e é mais observada em estações de transição. Por exemplo: agora estamos saindo do verão e entrando no outono e começam a entrar massas de ar geralmente mais frias. Isso vai dando uma característica de variação térmica também, fazendo com que haja maior chance das tempestades severas ocorrerem

Para identificar uma microexplosão com precisão, é necessário um radar meteorológico ou evidências fotográficas do evento dentro da área coberta pelo radar. Outro indicativo pode ser os danos causados, que ajudam a estimar o tipo de fenômeno ocorrido.

Ana ainda destaca que microexplosões são raras mas podem ocorrer em qualquer estação:

Já tivemos em todas as estações do ano registros desse fenômeno. É um fenômeno raro, não é comum, mas também não é uma situação anômala, que nunca ocorre. Ocorre, mas com menos frequência do que, por exemplo, temporais, chuvas intensas ou outros eventos severos

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) define a microexplosão como um forte fluxo descendente de vento que se separa da nuvem tempestuosa e atinge o solo com grande intensidade.

Este fenômeno difere dos tornados onde há convergência dos ventos formando um redemoinho vertical. Contudo, o potencial destrutivo é similar em ambos os casos.

Em fevereiro do ano passado no bairro Conchal em Sete Barras no Vale do Ribeira uma nuvem em forma de cogumelo caiu como uma “bomba de água”, segundo relatos locais – outro caso identificado por Ana como uma microexplosão – devastando 800 mil pés de banana.