O evento climático natural conhecido como La Niña, ativo desde dezembro de 2024, tem previsão de ser mais breve do que o usual, segundo informações da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), uma entidade ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). A diminuição da duração do La Niña agrava as condições de aquecimento global, uma vez que esse fenômeno geralmente resfria as águas do oceano Pacífico e tende a baixar as temperaturas atmosféricas.

Um relatório recentemente publicado pela OMM caracteriza o atual La Niña como um “evento fraco” e insuficiente para conter o avanço do aquecimento global. No ano anterior, a preocupação dos especialistas já se voltava para o retardo no começo deste fenômeno. Contudo, isso não implica uma rápida transição para o El Niño, que é o contraponto do La Niña e costuma elevar as temperaturas em zonas tropicais, incluindo o Brasil.

Previsões dos Centros Globais de Produção indicam que as atuais temperaturas da superfície do mar, mais frias que a média no Pacífico equatorial, devem retornar ao normal afirma a OMM em nota

De acordo com a mesma fonte, “há uma probabilidade de 60% de que as condições voltem a condições neutras de ENSO (nem El Niño nem La Niña) durante março-maio de 2025, aumentando para 70% em abril-junho de 2025”.

Portanto, é possível que o fenômeno dure aproximadamente seis meses, embora normalmente pudesse se estender por mais de um ano, conforme indica o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação do Brasil. A possibilidade de desenvolvimento do El Niño durante o período previsto é considerada “insignificante” pela OMM, mas a incerteza nas previsões de longo prazo é “maior que a usual”, em razão da chamada barreira de previsibilidade da primavera boreal.

O que é o La Niña?

O La Niña é caracterizado por um resfriamento substancial das temperaturas na superfície do mar do Pacífico equatorial, especialmente na região central e oriental. Este fenômeno altera a circulação atmosférica tropical, afetando ventos, pressão atmosférica e padrões de precipitação.

Anos influenciados pelo La Niña tendem a ser mais frios, enquanto aqueles sob o efeito do El Niño são tipicamente mais quentes. As mudanças climáticas têm desestabilizado esses ciclos naturais e isso explica o enfraquecimento recente do La Niña – nos primeiros meses de 2025, tanto o Brasil quanto outras partes do mundo registraram temperaturas recordes apesar do fenômeno, que deveria promover um resfriamento superior ao causado pelo El Niño nos últimos anos.

As mudanças climáticas induzidas pelo homem estão aumentando as temperaturas globais, exacerbando o clima e o tempo extremos, e impactando os padrões sazonais de chuva e temperatura destaca o relatório da OMM

Com temperaturas da superfície do mar previstas para se manterem acima da média em todos os principais oceanos, as últimas previsões contidas no relatório Atualizações Climáticas Sazonais Globais regulares (GSCU) apontam para temperaturas elevadas na maioria das regiões terrestres globais.

Calorão no RS

No final de fevereiro, o Rio Grande do Sul foi palco da quarta onda de calor deste ano — a quinta em todo o Brasil — provocando um aumento nas temperaturas estaduais entre 5ºC e 7ºC acima do normal.

Esse fenômeno ocorre pela atuação simultânea de dois sistemas de alta pressão atmosférica; um sobre o continente e outro conhecido como Alta Semi-Estacionária do Atlântico Sul (ASAS), que se movimenta pelo oceano em direção ao sul do país.

A previsão aponta para um alívio nas altas temperaturas a partir de domingo (9), com expectativa de queda para abaixo dos 30ºC na maior parte do Rio Grande do Sul. Tal alívio será resultado da chegada de uma frente fria intensa, capaz de desfazer o bloqueio atmosférico que afeta não só essa região mas também Argentina e Paraguai.