O inverno de 2024 foi marcado por extremos climáticos no Brasil, com temperaturas recordes e secas severas que afetaram diversas regiões do país. Em agosto, um total de 3.978 municípios enfrentaram condições de seca, sendo que 201 deles chegaram ao nível extremo. Cidades como Curitiba, São Paulo, Goiânia e Brasília registraram sucessivos recordes de calor, e o Rio de Janeiro viu termômetros atingirem marcas históricas em dias consecutivos.

O impacto dessa onda de calor não ficou restrito ao desconforto térmico. Problemas respiratórios, desidratação e complicações cardiovasculares se tornaram mais frequentes, em grande parte devido à baixa umidade relativa do ar, que em algumas regiões caiu para níveis inferiores a 15%.

Além disso, a qualidade do ar em São Paulo atingiu níveis alarmantes, levando a capital paulista a registrar, em setembro, a pior qualidade do ar do mundo por vários dias consecutivos.

Os reflexos também foram sentidos na economia, especialmente no setor agrícola. Culturas essenciais como soja, milho e feijão sofreram perdas significativas, o que agravou a insegurança alimentar e elevou os preços dos alimentos. O impacto dessa crise ainda persiste em 2025, afetando diretamente o bolso do consumidor.

Inverno de 2025 também será extremamente quente

As previsões para este ano não são animadoras. Inicialmente, havia expectativas de que um La Niña sólido pudesse se estabelecer, trazendo temperaturas mais amenas para algumas regiões do Brasil. No entanto, esse fenômeno climático se mostrou fraco e deve se dissipar em breve, sem influenciar de maneira significativa o clima do país.

As projeções indicam que julho será um mês de temperaturas elevadas, com a maior parte do Brasil registrando valores acima da média histórica. As regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, especialmente o Mato Grosso do Sul, devem enfrentar as maiores anomalias térmicas.

Ainda que algumas áreas registrem temperaturas dentro da média, não há previsão de quedas significativas ou de períodos prolongados de frio intenso. Isso significa que o inverno de 2025 poderá ser semelhante ao de 2024, com sucessivos recordes de temperatura máxima e sensação térmica elevada em diversas localidades.

Além disso, essa tendência de calor anormal não se restringe ao mês de julho. As projeções indicam que o trimestre de junho, julho e agosto – que corresponde à maior parte do inverno – terá temperaturas acima do normal em praticamente todo o território brasileiro.

Impactos na saúde e qualidade do ar

Outro aspecto preocupante é a baixa umidade relativa do ar, comum durante o inverno no Centro-Sul do Brasil. A combinação de calor e ar seco pode gerar condições semelhantes às observadas em desertos, além de comprometer ainda mais a qualidade do ar. O histórico do último ano aponta para a possibilidade de novos recordes negativos nesse sentido, especialmente em grandes cidades que já enfrentam altos níveis de poluição.

A população precisa se preparar para lidar com os efeitos desse inverno atípico, adotando medidas de hidratação, evitando exposição excessiva ao sol e monitorando a qualidade do ar, principalmente em dias de alerta para poluição.

O que pode ser feito para mitigar os impactos?

O Brasil, apesar de ser signatário do Acordo de Paris, enfrenta dificuldades na implementação de políticas eficazes para conter os efeitos das mudanças climáticas. O inverno de 2024 – e agora o de 2025 – reforça a necessidade de medidas urgentes e sustentáveis, que vão desde a preservação ambiental até a redução das emissões de gases de efeito estufa.

Além das políticas governamentais, é essencial adaptar as cidades e a rotina da população a um cenário de temperaturas mais altas. Isso inclui mudanças nas condições de trabalho, infraestrutura urbana mais sustentável e campanhas de conscientização sobre os riscos do calor extremo.

A sociedade também precisa se mobilizar para cobrar ações concretas do poder público e das grandes indústrias. Apoiar lideranças e projetos que promovam a preservação ambiental é um passo fundamental para garantir que o Brasil se torne um exemplo global na luta contra as mudanças climáticas e na busca por um futuro sustentável.