A primavera meteorológica tem início no começo de setembro, ainda que astronomicamente a estação só comece no dia 22.
Essa diferença ocorre porque, do ponto de vista climatológico, os meses de setembro, outubro e novembro compartilham padrões semelhantes de temperatura e precipitação.
Durante setembro, a variação térmica é ampla: enquanto a região Sul registra médias em torno de 14°C, a região Norte alcança 32°C.
O Sudeste apresenta valores intermediários, e o mês tende a ser mais seco no Brasil central e no Nordeste, contrastando com o maior volume de chuvas no Sul e no oeste da Amazônia.
Primeira quinzena: calor acima da média e chuvas fortes

Segundo projeções do ECMWF, a primeira metade de setembro será marcada por temperaturas acima da média em grande parte do país, especialmente no centro-sul, onde os desvios podem chegar a 3°C acima do normal. J
á o Nordeste, entre 1º e 8, deve ter temperaturas abaixo da média, reflexo de chuvas mais intensas.
No quesito precipitação, o destaque é o Rio Grande do Sul, que deve registrar volumes elevados e acima da média, aumentando o risco de transtornos.
Chuvas acima do normal também devem ocorrer no oeste e norte da Amazônia e em áreas do litoral nordestino.
Segunda quinzena: neutralidade climática e chuvas localizadas

Entre os dias 15 e 29, a maior parte do país tende a apresentar chuvas dentro da normalidade, mas o centro-norte do Brasil pode registrar precipitação acima da média.
Nesse período, o Sul terá temperaturas próximas do padrão esperado, enquanto o Centro-Oeste, Sudeste e Nordeste ainda devem enfrentar calor acima da média.
Na última semana do mês, prevalece um cenário de neutralidade climática, embora uma faixa de anomalias negativas de temperatura possa se estender pelas regiões Norte, Centro-Oeste e Nordeste.
Principais fatores que influenciam setembro

Diversos fenômenos de grande escala atuam sobre o clima da América do Sul e do Brasil, como:
- ENSO (El Niño e La Niña): a NOAA mantém o alerta “La Niña Watch”, mas, até o momento, o Oceano Pacífico segue em condição de neutralidade, com anomalias levemente negativas (abaixo de -0,5°C).
- Anomalias no Atlântico Sul: águas mais quentes na costa da América do Sul podem aumentar a umidade e intensificar as chuvas no Sul do Brasil.
- Oscilação Antártica (AAO): em fase negativa até a segunda quinzena, favorece a entrada de frentes frias, cavados e ciclones no Sul. A fase positiva, prevista para o fim do mês, reduz a precipitação na região Sul e amplia as chances de chuva no Sudeste.
- Oscilação Madden-Julian (MJO): deve estimular chuvas entre 6 e 26 de setembro, sobretudo entre os dias 6 e 11. Após o dia 26, a tendência é de redução da atividade.
A combinação entre neutralidade do Pacífico, aquecimento do Atlântico Sul e a fase negativa da AAO explica a previsão de setembro: um mês de extremos regionais, com calor intenso no centro-sul e riscos elevados de chuvas no Sul destacam meteorologistas do ECMWF
Setembro será um mês de transição climática, trazendo calor acima da média em boa parte do país, chuvas intensas no Sul e contrastes marcantes entre regiões.
Embora a maior parte do território brasileiro registre precipitação dentro do esperado na segunda quinzena, eventos extremos no Sul e no Norte merecem atenção.
A influência de fenômenos como ENSO, AAO e MJO reforça que o mês exigirá monitoramento constante, já que suas fases podem alterar de forma significativa os padrões de chuva e temperatura.



