A primeira semana de julho foi dominada por uma forte onda de frio que gerou geadas extensas, neve, marcas negativas nos termômetros e até novas quebras de recorde em diversas áreas do Brasil.
No Sul e em parte do Sudeste, o ar gelado persistiu por vários dias, assegurando tardes muito frias e sensação térmica ainda menor por causa do vento. Essa situação resultou de sucessivas massas de ar polar que avançaram sobre o país.
Entretanto, esse cenário começa a se modificar gradualmente na segunda semana do mês. Conforme o modelo meteorológico mais confiável ECMWF, na segunda metade de julho o padrão atmosférico muda e permite a entrada de ar mais quente vindo do Norte, elevando as temperaturas na maior parte do centro-sul do Brasil.
Tendência para a segunda quinzena de julho: calor e ar mais seco
Um aquecimento progressivo é esperado a partir da próxima semana, resultando em tardes cada vez mais quentes.
As simulações do ECMWF apontam anomalias positivas de temperatura de até 3 °C sobre a Região Sul entre 14 e 21 de julho.
A previsão é de que as máximas fiquem muito acima da média climatológica para julho, com possibilidade de calor e termômetros aproximando-se dos 30 °C em determinados municípios. As áreas mais suscetíveis serão:
Em todo o centro-norte do Brasil, os termômetros também devem subir. Esse aumento está associado a um padrão pré-frontal, ou seja, característico do período imediatamente anterior à chegada de uma frente fria.
Nesse caso específico, o sistema frontal atuará entre a Argentina e o Uruguai e terá pouca força para avançar de maneira significativa sobre o Brasil, o que reforça o aquecimento do lado brasileiro da fronteira.
[clube_cta]Isso fica evidente na previsão semanal de anomalia de precipitação para 14 a 21 de julho elaborada pelo ECMWF, que indica chuvas muito abaixo da média no Sul e no Brasil Central, e valores acima do normal entre Argentina e Uruguai.
Tal configuração reforça um cenário típico de situação pré-frontal, com ventos de quadrante norte transportando ar mais quente e seco em direção ao extremo sul do país.
Calor em pleno inverno: o que esperar?
Nos últimos anos, tornou-se mais comum presenciar ondas de calor mesmo no inverno, especialmente em julho e agosto. Embora novas entradas de ar frio ainda possam ocorrer nas próximas semanas, as projeções para meados de julho indicam uma pausa no frio intenso e o retorno de calor atípico para a estação.
As projeções dos modelos climáticos para o inverno de 2025, somadas à tendência atual de aquecimento, já apontavam para temperaturas acima da média em quase todo o Brasil.
Considerando o frio expressivo registrado no começo do inverno, caso esses modelos se confirmem, a expectativa é de que o restante da estação apresente, na maior parte do tempo, valores térmicos superiores ao padrão histórico.
Acompanhar as atualizações desses modelos é fundamental, pois mudanças repentinas podem afetar diretamente a agricultura, o consumo de energia e a saúde da população.
Por ora, destaca-se a tendência de aquecimento expressivo e tempo seco no centro-sul do país ao longo da segunda quinzena de julho, exigindo atenção constante.
