As temperaturas elevadas estão alcançando recordes em diversas partes do mundo, e a onda de calor continua a se intensificar. Conforme a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o ano de 2024 foi o mais quente em 174 anos, apresentando um aumento global de 1,4°C acima da média histórica.
Com esse aumento nas temperaturas, também se observa um crescimento no número de pacientes que apresentam sintomas relacionados a doenças cardiovasculares e respiratórias.
Esse aumento da temperatura é impulsionado por gases de efeito estufa como dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, que atingiram níveis alarmantes. Embora as causas sejam globais, os efeitos são percebidos até mesmo em pequenas localidades.
Calor intenso fez cidades de SC registrarem mais de 40ºC
Meleiro, localizado no Sul de SC, registrou uma temperatura de 41,1ºC em 11 de fevereiro. No mesmo dia, Criciúma também no Sul do estado, atingiu 40,6ºC. Sombrio teve uma marca de 40,1ºC naquela mesma data.
Jacinto Machado chegou aos 40ºC e Gravatal apresentou uma temperatura ligeiramente abaixo dos 40ºC, com 39,5ºC em 11 de fevereiro.
Calor extremo pode ser fatal
O calor intenso tem provocado diversas mortes em todo o mundo. Um estudo publicado na Nature Medicine revela que aproximadamente 6% das mortes nas cidades da América Latina são atribuídas às temperaturas extremas.
A pesquisa aponta que as doenças cardiovasculares e respiratórias se agravam com o calor, afetando principalmente crianças, idosos e indivíduos com condições crônicas.
Como o corpo reage ao calor
A fisiologista Maria Gorete Teixeira Morais explica:
“Quando somos expostos a um estresse térmico, o organismo reage imediatamente”
A primeira resposta do corpo é a sudorese, um mecanismo natural para resfriamento. Entretanto, em regiões úmidas como a Amazônia, “há uma dificuldade de eliminação dessa temperatura”.
Por outro lado, em áreas secas como o Nordeste, “as ondas de calor dificultam o resfriamento do corpo” , esclarece a especialista.
Por que os problemas do coração aumentam no calor?
O calor extremo contribui para aumentar a viscosidade do sangue, favorecendo a formação de coágulos.
Nosso sangue fica mais espesso, trazendo uma carga adicional para o coração alerta Maria Gorete
Indivíduos com insuficiência cardíaca podem enfrentar arritmias e outras complicações devido à necessidade do coração trabalhar mais para dissipar o excesso de calor corporal.
Impactos na respiração e imunidade
A umidade do ar tem um impacto direto na saúde respiratória.
“Nos lugares secos, ocorre um ressecamento importante da mucosa do nariz e boca, prejudicando a barreira protetora contra vírus e bactérias”
Além disso, o calor cria condições favoráveis para surtos de doenças infecciosas como a dengue, tornando fundamental o controle dos criadouros do mosquito Aedes aegypti.
Como se proteger do calor extremo
Os especialistas afirmam que ações simples podem contribuir significativamente para prevenir problemas graves relacionados à saúde cardiovascular e respiratória:
- Mantenha-se hidratado: beba água regularmente, mesmo que não sinta sede.
- Evite a exposição ao sol: opte por locais frescos e sombreados.
- Use roupas leves: tecidos leves e claros ajudam na regulação térmica.
- Cuidado com a alimentação: consuma refeições leves e evite alimentos quentes.
- Proteja-se ao sair: utilize protetor solar, chapéu e óculos escuros.
Adapte sua casa e rotina ao calor
Mesmo dentro de casa é crucial tomar precauções.
“Não deixar as casas abafadas nem totalmente abertas ao sol”, é vital para manter uma temperatura equilibrada. Ventilar os ambientes frequentemente, tomar banhos frios e evitar aglomerações também são práticas que ajudam a mitigar os impactos das altas temperaturas.
O calor extremo não representa apenas um desconforto; é um risco real à saúde. Medidas simples como manter-se hidratado e evitar exposição ao sol intenso podem fazer toda a diferença. Com pequenas adaptações na rotina diária é possível se proteger dos efeitos nocivos do calor e garantir maior bem-estar durante os dias quentes.



