O próximo ano promete ser um marco preocupante na história climática, pois, segundo previsões, 2024 será o ano mais quente já registrado.
Esta previsão foi anunciada pelo observatório europeu Copernicus nesta segunda-feira. A temperatura média global deverá ultrapassar a marca de 1,5°C acima dos níveis pré-industriais, um limite crítico estabelecido pelo Acordo de Paris.
Este anúncio surge após novembro de 2023 se classificar como o segundo novembro mais quente já observado. O observatório detalhou que a temperatura durante este mês superou os níveis pré-industriais em mais de 1,5°C.
Novembro também foi marcado por eventos climáticos extremos, incluindo múltiplos tufões devastadores na Ásia e secas prolongadas tanto na África Austral quanto na Amazônia.
O custo dos danos climáticos
A situação atual é sombria, conforme relatórios da ONU que indicam que o mundo não está no caminho certo para limitar seu aquecimento global e evitar as consequências mais severas das mudanças climáticas, como secas intensas, ondas de calor extremas e chuvas torrenciais.
Estas condições já estão causando mortes e grandes impactos econômicos ao redor do mundo.
As políticas ambientais atuais apontam para um aquecimento potencialmente catastrófico de até 3,1°C até o final do século.
Mesmo com promessas mais ambiciosas, esse aumento poderia alcançar 2,6°C, segundo a Organização das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Os países têm uma janela até fevereiro para revisar seus compromissos climáticos para 2035, mas os resultados mínimos da COP29 podem limitar essas ambições.
A ajuda financeira prometida aos países em desenvolvimento pelos países mais ricos soma 300 bilhões de dólares anuais até 2035, valor que representa menos da metade do necessário para financiar a transição energética e adaptação aos impactos climáticos nesses países.
Impactos econômicos das catástrofes naturais
Em 2024, desastres naturais impulsionados pelo aquecimento global resultaram em perdas econômicas globais estimadas em 310 bilhões de dólares, conforme divulgado pela Swiss Re.
Este valor reflete a gravidade e o custo crescente dos eventos climáticos extremos.
Alterações nos fenômenos climáticos
O fenômeno El Niño, que ocorreu em 2023 juntamente com o aquecimento global, levou as temperaturas globais a níveis recordes. Segundo o climatologista Robert Vautard, anos subsequentes ao El Niño tendem a ser ainda mais quentes.
Apesar das altas temperaturas distribuídas ao longo do ano, Vautard observa que o resfriamento esperado está ocorrendo de maneira muito lenta e pode exigir análises adicionais se esta tendência persistir até 2025.
Um estudo recente publicado na revista Science revelou que em 2023 a Terra refletiu menos energia solar de volta ao espaço.
Isso se deve principalmente à redução das nuvens de baixa altitude e à diminuição da cobertura de gelo. Na Antártida, os níveis de gelo permanecem criticamente baixos desde 2023, estabelecendo um novo recorde de derretimento em novembro.



